O Piauí mostra porque é um Estado que não dá importância a quem produz. Nesta semana, a Dudico que é a maior empresa de abate de frangos do Piauí, comunicou o fechamento da unidade de Teresina. A decisão da Dudico acaba com 400 postos de trabalho diretos. Segundo informações da empresa a decisão foi tomada porque a unidade do Piauí não conseguia cobrir seus custos mensais de produção, algo em torno de R$ 1 milhão.

Vamos mostrar o que entristece: o quadro ruim para quem quer produzir no nosso Estado. Primeiro a maneira que os empresários e empreendedores são tratados. A maior indústria de abate de frango do Piauí tem 400 empregados. O significa que é uma empresa de médio porte. Ou seja, no Piauí até o que é grande é pequeno. E que aparentemente não houve qualquer trabalho do Governo do Estado e da Prefeitura de Teresina para tentar reverter este fechamento. O interessante é que as unidades da Dudico nos estados do Maranhão e Ceará continuam funcionando.

O problema foi só no Piauí. O que aconteceu? Será que é a carga tributária do Estado, a qualidade do fornecimento de energia elétrica e os custos de produção, ou todos estes fatores acima somados a crise econômica? Os questionamentos são do economista Márcio Braz. Ele reforça que é muito ruim para o Estado o fechamento de indústrias.

O outro ponto estranho é o silêncio, pelos menos até agora, do Governo do Estado, da Prefeitura de Teresina e das entidades que representam a classe industrial, como a Federação das Indústrias do Piauí – FIEPI e da Associação Industrial Piauiense – AIP. Nada foi dito sobre o caso. E mais estranho ainda foi a direção da empresa Dudico que deu não deu explicações mais claras sobre o fechamento da empresa.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Piauí (Sintriapi), Antonio Alves Pitombeira Neto, falou ao site Cidadeverde.com e na conversa com o jornalista Herlon Moraes. Ele disse que, a Dudico encerrou as atividades às 11h da quarta-feira e garantiu que irá pagar todos os direitos trabalhistas dos colaboradores.

“O abate só funcionava até 11h. As atividades foram encerradas nesse horário. O Sindicato estava presente para assegurar todos os direitos. A Dudico se prontificou a pagar todos os direitos”, afirmou o sindicalista ao site.

O Sintriapi lamentou o fechamento da empresa e disse que só em 2019 já é a segunda do ramo que encerra suas atividades.

“Estamos muito tristes, pois 400 pais de família estão desempregados. É um baque muito grande na nossa categoria. Este ano é a 2ª empresa do ramo que fecha as portas. A Nutreco, que trabalha com ração, também fechou deixando sem emprego cerca de 80 colaboradores”, declarou. ( texto extraído do Cidadeverde.com)

A Dudico é a segunda empresa do setor da indústria de alimentos que fecha suas portas em 2019. Por isso que é difícil  entender as políticas de atração de novos empreendimentos para o Piauí (incluindo a capital Teresina), que são promovidas pelo Governo do Estado e pela  Prefeitura de Teresina.

Segundo nota da coluna Tempo Real  do site Cidaverde.com, assinada pelo jornalista Elivaldo Barbosa a crise do setor é bem grave: A Cialne (Empresa Cearense que controlava a Dudico), companhia que mantinha o abatedouro funcionamento, também controlava granjas na região. A maioria está sendo devolvida aos proprietários e o caminho é desativação, gerando mais demissões.

O setor avícola enfrenta grave crise causada, sobretudo, por acentuada elevação dos custos de produção na atividade.

A estrutura da Dudico no Piauí pode ser comprada por empresa do Paraná que atua no mercado de frangos.

As negociações já estão em andamento e o sucesso da transação só depende agora da superação de entraves burocráticos. – texto de Elivaldo Barbosa

O prejuízo pode ser maior, já que várias granjas podem ser desativadas, gerando mais desemprego. E o estranho silêncio sobre o fato continua.

Em um momento preocupante para economia do Piauí,  quando setores que geram emprego e renda, como as indústrias fecham as portas ai sim é um sinal que algo está muito errado.  Já que Teresina virou a terra das empresas de serviço, como as de call center, fica a pergunta porque a capital do Estado, mesmo com a sua posição geográfica privilegiada não consegue ter um bom desenvolvimento quando se fala em atração de investimentos. O quem tem de errado com Teresina? O que tem de errado como o Piauí?

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